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São Martinho do Bispo PDF Imprimir e-mail
Escrito por CC   
19-Feb-2007

São Martinho do Bispo é uma freguesia portuguesa do concelho de Coimbra , . Densidade: 840,0 hab/km².

Padroeiro: São Martinho; População: 20.000 a 25.000; Eleitores: 11.839; Actividades Económicas: Comércio, Indústria e Agricultura; Gastronomia: Canja de galinha, arroz pardo, chanfana, batatas salteadas, sopa camponesa, sopas fervidas, galinha corada, arroz doce; Artesanato: Peças em vime (poceiros, cestos e cestas) e rastos de pau para tamancos; Feiras: feiras mensais nos dias 7 e 23; Paisagem de Relevo na Freguesia: a mata do Choupal, Pinhais dos Covões, Campos do Mondego, Rio Mondego que atravessa a Freguesia e o Centro Hípico de Coimbra; Ecologia: Rio Mondego (Pesca desportiva no Rio Mondego, onde se têm disputado vários campeonatos nacionais e internacionais).

  A HISTÓRIA

Partindo de Coimbra e rumando sentido Oeste, encontra-se inevitavelmente, a uns 3,5Km, a Freguesia de S. Martinho do Bispo que abrange uma área de 19,5 Km2 e que integra os seguintes lugares: Pé-de-Cão, Curralinhos, Giralda, Outeiro de Álvaro, Malpica, Alquêves, Cananés, Covões, Cruzes de Granjeiras, Estremão, Gorgulão, Malpica, Avial, Bencanta, Casais do Campo, Rua das Figuras, Casal da Bemposta, Lagar dos Cortiços, Casas Novas, Chafariz, Coalhadas, Corujeira, Escola Agrícola, Espadaneira, Espírito Santo das Touregas, Fala, Montessão, Parreiras, Póvoa, Ribeiro da Póvoa, S. Martinho, e Sujeira.


Parte integrante do termo de Coimbra e situada na sua área de jurisdição, a história de S. Martinho liga-se, umbilicalmente, à desta cidade. Ocupada sucessivamente por romanos, visigodos e muçulmanos, reconquistada definitivamente pelos Cristãos em 1064 e usufruindo de uma situação geográfica e estratégica privilegiada, Coimbra torna-se, desde então, a mais importante cidade de fronteira desta faixa ocidental peninsular, a capital, política e religiosa, de um vasto território que ia, sensivelmente, do Douro ao Mondego e do mar até aos territórios de Viseu e Lamego, inclusive. Vasto território governado pelo moçárabe D. Sisnando, natural de Tentúgal, rodeado e apoiado por muitos outros moçárabes, laicos e eclesiásticos, que dominavam territórios mais ou menos vastos, circundantes a Coimbra, ordenados e hierarquizados a partir dela. Moçárabes fundamentais no esforço de desbravamento, de povoamento, de conquista de solos e de desenvolvimento de vias de comunicação, numa palavra, na prosperidade do mundo rural circunvizinho de que Coimbra - numa intima relação de complementaridade - passou a depender e sobre o qual influía e intervinha directamente.

Após a conquista definitiva pelos cristãos de Coimbra aos mouros em 9 de Julho de 1064, D. Sisnando - o Moçárabe e conde de Tentúgal - que comandava as tropas cristãs, ordenou o repovoamento da margem esquerda do Mondego, tarefa que incumbiu ao então Bispo de Coimbra - D. Pedro.

Uma das primeiras medidas deste Bispo, confesso devoto ao santo Martinho, foi mandar erguer uma igreja. em honra deste santo, à saída da cidadela, como então era conhecida Coimbra, e assim nasceu São Martinho do Bispo, cerca de meio século antes da fundação da nacionalidade Portuguesa.

  PATRIMÓNIO E TURISMO

Património Arquitectónico e Arqueológico:

Igreja Paroquial - A grande reforma da igreja data dos fins do século XVII. Guarda de época anterior a porta principal, do século XVII, a. torre de 1733, e da época medieval deve ser um arco reposto pela parte posterior do altar-mor, a ressalvar o trono, na sacristia uma portinha chanfrada, do século XVI.

Templo amplo com larga nave.

A fachada segue um traçado neoclássico: dois corpos laterais, vincados por pilastras, e um central mais elevado, que forma arco ornamental. Cobre a nave um largo tecto de madeira, em caixotões singelos.
Contém cinco altares antigos. 0 retábulo principal é da primeira metade do século XVIII, com modificações posteriores, os restantes são do fim do séc. XVIII.
As esculturas de madeira são correntes. S. Martinho, do século XVII, e Senhora dos Remédios, da segunda metade, e Santo António, pequeno, do século XVIII.
Panos de azulejos do século XVIII, estão aplicados na capela-mor e no cruzeiro.
As duas pias de água benta da entrada, de concha lavrada e alvéolo superior também lavrado setecentistas, não são vulgares.

Cruzeiros - Existem ainda dois, do tipo de grandes braços rectangulares e base trapezoidal, dos séculos XVII-XVIII. Um colocado no cemitério, outro levado para a extremidade da povoação.

Casa Antiga - Nos Casais. Conhecida por "Quinta do Seminário", pertenceu à mitra de Coimbra. D. Miguel da Anunciação, criando um seminário, teve primeiramente os alunos da cidade, passando-os para esta Quinta, aonde estiveram cerca de três anos, a partir de 1743.
O edifício, incluindo a capela, é do século XVII mas as casas tiveram reformas em 1763, mandadas executar pelo primeiro reitor do seminário, Nicolau Giliberti.
Na pequena capela, do século XVII, destaque para as esculturas de Srª. da Conceição (Srª. do Couto), um Santo Diácono, S. Brás, Piedade (Virgem com Cristo) e uma tela da Srª. da Conceição.

Capela de S. João Baptista - Em Pé de Cão. O edifício actual pertence a uma reforma do fim do século XVIII.
Pequeno retábulo de quatro colunas, setecentista. A imagem de S. João de Baptista, de pedra, pertence ao fim do século XV, representando-o de túnicas de peles. Na sacristia duas pequenas tábuas, do século XVI, do Baptismo de Cristo e Creche.

A Quinta dos Plátanos - a Quinta dos Plátanos está situada em Bencanta, freguesia de S. Martinho do Bispo, um dos antigos arredores rurais de Coimbra, pelo que era muitas vezes escolhida como local para residência de Verão e/ou de campo de muitos (notáveis) conimbricences. A edificação desta quinta poderá ter estado, muito possivelmente, relacionada com este facto.

Da estrutura arquitectónica original do edifício pouco se sabe, uma vez que terá sofrido diversas campanhas de obras ao longo do tempo, após a aquisição da propriedade por Bissaya Barreto. De arquitectura setecentista, este edifício obedece já a conceitos estruturais pombalinos. A fachada virada. a sudoeste é a que apresenta menos intervenções, visto conservar ainda a traça arquitectónica dos palácios desta época, verificando-se grandes semelhanças com o palácio de Oeiras.

As primeiras notícias que se encontraram, relacionadas com a Quinta dos Plátanos, são já do século XIX, e prendem-se com a mudança para este edifício pelo Conselheiro Adrião Pereira Forjaz de Sampaio e sua família, no ano de 1870, data da sua jubilação como Lente da Universidade de Coimbra.

Em 1943 Bissaya Barreto compra esta propriedade fazendo dela um local de lazer para onde convida os seus amigos para almoçar ou jantar. E a Quinta dos Plátanos passa a ficar ligada ao seu nome.

De 1974 a 1989-1990 a quinta foi emprestada à Comunidade S. Francisco, liderada pela irmã Teresa Granado, que recolhe crianças órfãs e as educa até a sua maioridade.

Em 12 de Junho de 1993, após um processo de obras de restauro por que passou, a Quinta dos Plátanos é inaugurada como a sede oficial da Fundação Bissaya Barreto.

  MOVIMENTO ASSOCIATIVO

Associações Desportivas e Recreativas:
Grupo Desportivo Vigor da Mocidade, Esperança Atlético Clube, Centro Social de S. João, Associação Cultural Recreativa e Desportiva de Espírito Santo das Touregas, Associação Recreativa. Casaense, Sporting Clube da Póvoa.

Associações Culturais:
Grupos Folclóricos - A freguesia de S. Martinho do Bispo dispõe de seis grupos dedicados a danças e cantares tradicionais. Desses grupos, cinco são considerados grupos etnográficos, pela sua acção de estudo, recolha, preservação e divulgação de danças e/ou cantares trajes objectos e utensílios, crenças e práticas, quer no que diz respeito, ao lazer, como também ao trabalho e fazem-no através de apresentações públicas, reconstituições e exposições.

São os seguintes: Grupo Regional de Danças e Cantares do Mondego - em Fala – fundado em 27/04/1977; Grupo Folclórico "Ceifeiros da Corujeira" - em Corujeira – fundado em 22/05/1977; Grupo de Cantares da Casa do Povo de S. Martinho do Bispo - em S. Martinho do Bispo – fundado em 13/05/1978; Grupo Folclórico Camponeses de Montessão – em Montessão – fundado em Outubro de 1988; Grupo Folclórico Flores das Parreiras – em Parreiras – fundado em Junho de 1988; O sexto é o Grupo Folclórico Mártir S. Sebastião - em Casas Novas – fundado em 15/10/1967.

Os grupos folclóricos, de S. Martinho do Bispo não se têm limitado à reconstituição de trajes, danças e cantares, mas também a outros usos e costumes como, por exemplo, a recuperação da cozinha tradicional e arraias à moda antiga. Num dos lugares da freguesia - Fala - têm sido reconstituídos, pelo grupo local, descamisadas e jogos tradicionais e ainda outras tradições tais como: a campaínha da burra (do século XV); a benção do ramo (já se estendeu a toda a freguesia); o dia da bela cruz (em toda a freguesia); cava mandada e o dia de S. Martinho, evento reconstituído a partir de 1997.

Associações Sociais:
Centro Social de S. João, Clube Cultural de Casas Novas.

 
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